**China Reforça Controle Sobre Exportações de Terras Raras, Impactando EUA e União Europeia** A China, que domina a produção e o refino de terras raras, essenciais para a fabricação de smartphones, carros elétricos e equipamentos militares, intensificou seu controle ao suspender a exportação desses minerais para os Estados Unidos.
A medida, anunciada em meio a tensões comerciais, expõe as vulnerabilidades dos EUA e da União Europeia, que dependem significativamente desses recursos. Responsável por mais de 60% da produção global e quase 90% do refino, a China implementou restrições à exportação de sete tipos de terras raras e ímãs permanentes em abril.
As restrições são vistas como uma resposta às elevadas tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e já causaram impactos diretos na produção industrial americana, incluindo a redução da produção de SUVs pela Ford em Chicago. Empresas como Aptiv e BorgWarner, fornecedoras de autopeças, estão desenvolvendo motores com menor dependência desses minerais.
Michael Dunne, consultor automotivo, destacou ao "The New York Times" que as medidas chinesas podem paralisar completamente a produção de veículos nos EUA. A União Europeia também enfrenta desafios semelhantes, dependendo da China para 98% de seus ímãs de terras raras, vitais para a fabricação de componentes automotivos e equipamentos médicos de imagem.
A Associação Europeia de Fornecedores de Autopeças (Clepa) alertou sobre interrupções significativas nas cadeias de produção. Em resposta, a Comissão Europeia, através de sua Lei de Matérias-Primas Críticas, estabeleceu a meta de produzir 7 mil toneladas de ímãs dentro do bloco até 2030, com projetos de mineração, refino e reciclagem já em andamento.
Instalações de processamento estão previstas para serem inauguradas na Estônia e na França nos próximos anos. Durante uma reunião em Londres, a China concordou em acelerar a aprovação de licenças de exportação, embora ainda exista um acúmulo de pedidos pendentes.
Não está claro se o acordo inclui o fornecimento para o setor militar dos EUA. O uso estratégico das terras raras pela China como ferramenta geopolítica não é novidade.
Em 2010, o país já havia suspendido as exportações para o Japão durante uma disputa territorial, provocando alta nos preços e ameaçando cadeias de suprimentos globais. Gabriel Wildau, consultor da Teneo, alertou que o regime de licenciamento de exportações da China é permanente e que os cortes no fornecimento continuarão sendo uma ameaça constante. Diante das dificuldades para contestar o domínio chinês no curto prazo, líderes do G7 definiram uma estratégia conjunta para mitigar riscos de escassez, prometendo responder coletivamente a perturbações deliberadas no mercado e adotar medidas para diversificar a produção e o fornecimento global de terras raras. A situação atual realça a importância estratégica desses minerais para o Ocidente e a necessidade de desenvolver cadeias de fornecimento alternativas para reduzir a dependência da China.
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