**Mulher Trans Quilombola Luta Contra Preconceito e Invisibilidade no Interior do Ceará** Adda Vyctoria Caetano, uma mulher trans de 37 anos, enfrenta diariamente o desafio de ser uma liderança em Conceição dos Caetanos, uma comunidade quilombola no município de Tururu, Ceará.
Desde cedo, Adda compreendeu as dificuldades que enfrentaria ao se assumir como transgênero aos 10 anos, com sua mãe alertando sobre os preconceitos que enfrentaria por ser negra, pobre e parte de uma comunidade rural. Hoje, além de liderar o território, Adda também coordena um grupo de jovens e um coletivo de diversidade quilombola chamado África Nordestina, além de gerir o grupo LGBT da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).
Apesar de sua posição, ela ainda enfrenta resistência dentro da própria comunidade, onde alguns moradores a tratam pelo nome de nascimento e questionam sua capacidade de liderança. A visibilidade e aceitação de pessoas LGBT nos quilombos é um desafio, especialmente em áreas rurais onde, segundo dados de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 0,8% dos moradores se declaram homossexuais ou bissexuais, contrastando com 2% em áreas urbanas.
A falta de dados específicos sobre a população trans e quilombola dificulta ainda mais a luta por reconhecimento e direitos. Adda relata que o preconceito é estrutural, afetando o acesso a emprego, saúde, educação e segurança.
Ela destaca que, muitas vezes, as políticas públicas não alcançam a comunidade LGBT quilombola, e a baixa conectividade impede o acesso a informações e serviços essenciais.
Na saúde, por exemplo, enfrenta preconceitos até mesmo ao solicitar exames básicos, sendo direcionada para testes de doenças sexualmente transmissíveis simplesmente por ser uma mulher trans. Na educação, a falta de preparo das escolas rurais para acolher crianças trans, combinada com bullying e falta de transporte, leva muitos jovens a abandonar os estudos.
Adda ressalta a importância da resistência para a existência da população negra, quilombola e LGBT, enfatizando que "para a gente existir, a gente precisa resistir". A história de Adda Vyctoria Caetano é um exemplo de coragem e determinação na luta contra o preconceito e pela inclusão e reconhecimento das minorias em todos os aspectos da sociedade brasileira.
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