**Shein Submete Pedido Confidencial de IPO em Hong Kong e Visa Mercado Londrino** A gigante chinesa do fast fashion, Shein, conhecida por seus produtos a preços acessíveis, submeteu um pedido confidencial de oferta pública inicial (IPO) em Hong Kong nesta semana, segundo informações do jornal britânico "Financial Times".
A manobra é vista como uma estratégia para influenciar o regulador financeiro do Reino Unido a flexibilizar as normas de divulgação de riscos, permitindo assim um possível IPO também na bolsa de Londres. Caso o plano se concretize, a oferta em Londres poderia se tornar a maior do tipo nos últimos anos.
No entanto, o "Financial Times" aponta que as chances da Autoridade de Conduta Financeira (FCA) do Reino Unido aceitar um prospecto aprovado pela Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC) são mínimas, devido às diferenças significativas nas exigências regulatórias entre os dois países. Em janeiro, preocupações foram levantadas por Liam Byrne, presidente do comitê de negócios e comércio da Câmara dos Comuns do Reino Unido, sobre a integridade da cadeia de suprimentos da Shein, especialmente após a recusa de um executivo da empresa em discutir a origem do algodão usado nos produtos, suspeito de vir de Xinjiang, região marcada por alegações de trabalho forçado. Apesar de Shein possuir um robusto balanço com US$ 12 bilhões em caixa, a empresa já enfrentou dificuldades em 2023 ao não conseguir aprovação para um IPO pela SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA).
Agora, a expectativa é que a bolsa de Hong Kong (HKEX) seja mais flexível quanto aos riscos descritos nos prospectos da empresa. O "Financial Times" também ressalta que a empresa, apesar de registrar um aumento de 19% nas vendas em 2024, alcançando US$ 38 bilhões, viu seu lucro líquido cair quase 40% no mesmo período, para US$ 1 bilhão.
Essa queda de lucratividade levanta dúvidas sobre se o IPO da Shein pode atingir a avaliação de US$ 66 bilhões alcançada em uma avaliação privada há dois anos. Os bancos Goldman Sachs, Morgan Stanley e JP Morgan, que trabalharam nas ofertas anteriores da empresa em Nova York e Londres, e agora em Hong Kong, optaram por não comentar sobre o processo.
Da mesma forma, a HKEX, a FCA e a Shein também não emitiram declarações sobre o assunto.
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