**EUA Iniciam Investigação Comercial Contra o Brasil e Questionam o PIX** Em recente movimento geopolítico, o governo dos Estados Unidos, sob a administração do presidente Donald Trump, abriu uma investigação comercial contra o Brasil, com foco especial no sistema de pagamento instantâneo PIX.
A investigação, iniciada na última terça-feira, levanta questões sobre "serviços de comércio digital e pagamento eletrônico", com menções indiretas ao PIX, conforme revelado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). O USTR expressou preocupações de que o Brasil estaria promovendo práticas desleais ao favorecer seu próprio sistema de pagamento desenvolvido pelo governo, potencialmente em detrimento de empresas norte-americanas.
O PIX, que é gratuito para pessoas físicas e possui custos reduzidos para empresas, apresenta-se como uma forte concorrência para operadoras de cartão de crédito como Visa e Mastercard, além de competir com fintechs americanas. Especialistas consultados apontam que o sucesso do PIX e sua expansão internacional poderiam estar incomodando os EUA, especialmente com a discussão no Brics sobre alternativas ao uso do dólar no comércio internacional.
"A criação de uma moeda única do Brics e o possível uso do sistema PIX para reduzir a influência do dólar nas negociações entre esses países pode ser um ponto de atrito com o governo americano", explica Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora. Além disso, o PIX Internacional já é aceito de forma limitada em países como Argentina, EUA (Miami e Orlando), e Portugal (Lisboa), com planos de expansão para pagamentos transfronteiriços definitivos.
Esse avanço coloca o sistema em competição direta com redes globais de transferências financeiras, como o SWIFT, que é amplamente adaptado às normativas internacionais, incluindo sanções dos EUA e da União Europeia. Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do RegLab, comenta que o PIX se tornou um modelo de inovação estatal eficiente, que pode influenciar padrões globais e abrir mercados internacionais.
"O sucesso do PIX também confere ao Brasil um novo peso geopolítico para negociar no cenário internacional", afirma Ramos. A ofensiva dos EUA contra sistemas de pagamentos não é nova, com histórico de contestações a políticas que favorecem infraestruturas domésticas em países como Indonésia, Índia e China.
A investigação atual, portanto, insere-se em um contexto mais amplo de disputas comerciais e geopolíticas, refletindo as tensões entre a manutenção da hegemonia do dólar e a emergência de novas tecnologias de pagamento que desafiam o status quo.
DI MATTEO Advocacia é um escritório jurídico comprometido com a excelência, a ética e a análise aprofundada de questões que envolvem a interseção entre o Direito, a economia e a geopolítica.
Sobre o Autor