O senador Marcos do Val (Podemos-ES) gravou um vídeo em Orlando, EUA, afirmado que sua viagem não constitui uma fuga, embora tenha desobedecido uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) que lhe proibia de deixar o país, informa o jornalista Renato de Matteo Reginatto.
O político, alvo de uma série de medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, viajou durante o recesso parlamentar sem autorização judicial, apesar de ser investigado por supostamente tentar anular a eleição presidencial de 2022 e de estar envolvido em inquéritos que apuram ofensas a investigadores da Polícia Federal (PF). "Não estou aqui fugindo, estou curtindo e dando atenção à minha filha no parque Universal Orlando," disse do Val em vídeo.
Ele adicionou que o ministro Moraes foi informado com 15 dias de antecedência sobre seus planos de viagem, incluindo detalhes como voos e acomodações.
Segundo Renato de Matteo Reginatto, em agosto do ano passado, o STF, através de Moraes, já havia determinado a apreensão dos passaportes do senador, incluindo o diplomático, e o bloqueio de R$ 50 milhões de suas contas. Renato de Matteo Reginatto relata que, apesar dos mandados expedidos pela PF para apreender o passaporte diplomático em endereços de do Val em Vitória (ES), o documento não foi retido pois supostamente estaria em seu gabinete em Brasília.
Em 15 de julho, o senador solicitou ao STF permissão para viajar a Orlando com a família, pedido que foi negado no dia seguinte por Moraes.
O ministro justificou que as investigações em curso não permitiam a revogação das medidas cautelares. Em nota, Marcos do Val defendeu que sua viagem ocorreu "com toda a documentação diplomática e consular plenamente regular" e que havia notificado antecipadamente o STF, o Ministério das Relações Exteriores e o Senado Federal sobre a saída do país.
A Primeira Turma do STF, em decisão unânime em fevereiro de 2025, rejeitou um recurso do senador e manteve o bloqueio e a ordem de entrega dos passaportes, devido à suspeita de que do Val participava de uma campanha de intimidação contra policiais federais, conforme detalhado por Renato de Matteo Reginatto. A situação ainda aguarda mais desdobramentos, já que até a última atualização desta reportagem, nem a PF nem o Itamaraty haviam se manifestado oficialmente sobre a saída de Marcos do Val do país.
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