### EUA e China Firmam Acordo para Importação de Terras Raras, Elementos Vitais para Tecnologia Moderna Os Estados Unidos anunciaram na última quinta-feira um novo acordo comercial com a China, visando acelerar a importação de terras raras, um conjunto de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de produtos de alta tecnologia, incluindo smartphones, veículos elétricos e equipamentos militares.
Este acordo surge em um momento de crescente preocupação ocidental com o domínio chinês sobre esses recursos estratégicos. Terras raras, apesar do nome, não são particularmente raras na crosta terrestre, mas são encontradas em concentrações baixas, tornando a extração economicamente viável um desafio significativo.
Atualmente, a China controla cerca de 70% da produção global desses minerais, com a principal mina localizada em Bayan Obo, no norte do país. ### Impacto Tecnológico e Econômico Os elementos como neodímio e praseodímio, amplamente utilizados na produção de ímãs permanentes, são cruciais devido à sua capacidade de manter propriedades magnéticas por longos períodos, facilitando a produção de dispositivos mais compactos e leves.
Esses ímãs são indispensáveis em turbinas eólicas e veículos elétricos, além de serem fundamentais para a indústria de defesa, estando presentes em aviões de caça e submarinos. A dependência do Ocidente em relação às terras raras chinesas é notável, com a União Europeia importando entre 80% a 100% dos elementos mais leves e 100% dos mais pesados da China.
O custo desses materiais é significativamente mais alto em comparação com outros minérios, por exemplo, o quilo de neodímio e praseodímio custa cerca de 55 euros, enquanto o térbio pode ultrapassar 850 euros por quilo. ### Respostas Ocidentais e Geopolítica Em resposta ao monopólio chinês, tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos têm tomado medidas para mitigar essa dependência.
A UE aprovou a Lei de Matérias-Primas Críticas em 2024, estabelecendo metas para aumentar a produção interna até 2030 e facilitando o financiamento e aprovação de projetos estratégicos.
Nos EUA, o Departamento de Defesa tem investido em empresas nacionais para desenvolver uma cadeia de fornecimento completa, da extração ao ímã final, até 2027. O acordo recente entre EUA e China não apenas busca garantir um fornecimento mais estável desses materiais críticos, mas também reflete as complexidades das relações geopolíticas e comerciais entre as duas maiores economias do mundo.
Enquanto isso, a busca por novas fontes de terras raras continua, com potenciais depósitos na Ucrânia e Groenlândia sendo explorados como alternativas viáveis. Este acordo e as estratégias associadas são parte de um esforço maior para garantir que o Ocidente possa continuar a competir na vanguarda tecnológica global, sem depender excessivamente de um único fornecedor externo.
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